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CONDIÇÕES PEDAGÓGICAS DA APRENDIZAGEM: MÉTODOS DE APRENDIZAGEM  escrito em quinta 10 setembro 2009 16:10

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Vanessa Neri

23/10/2008

Condições fisiológicas e motivadoras consistem em elementos de suma importância para que ocorra a aprendizagem. Entretanto, é vital levarmos em consideração outros aspectos relevantes, tais como analisar os elementos que se acham mais relacionados com os métodos de aprendizagem dirigida. A natureza da tarefa a ser aprendida influi na aprendizagem, em outras palavras, podemos dizer que a dificuldade empregada, a semelhança, o grau de motivação do aluno para aprender determinada informação, são pontos realmente culminantes para a aprendizagem. Todavia, os métodos de estudo, assim também a duração das atividades são fatores decisivos para que ocorra ou não a aprendizagem.

            O significado do material a ser aprendido tem importância relevante quando o assunto é rapidez da aprendizagem. A determinação do significado não está confinada à aprendizagem de material verbal, apenas. Várias pesquisas sobre problemas perceptuais-motores, tais como quebra-cabeças, têm evidenciado a importância da compreensão de movimentos, relações especiais etc. para maior eficiência da aprendizagem. O que podemos notar é que quanto mais significativo o material a ser aprendido, mais rápida será a aprendizagem e a tenacidade da retenção.

Existem elementos que contribuem para emprestar significado ao material a ser apreendido. Na observação de tais elementos, é válido citar em primeiro a riqueza de associações com os termos, objetos, idéias envolvidas na aprendizagem. O termo técnico torna-se significativo à medida que é definido e redefinido, que é relacionado com outras palavras e conceitos já conhecidos. Na escola primaria, a aprendizagem da leitura requer o reconhecimento e associação de símbolos arbitrariamente escolhidos, com sons adquiridos anteriormente. O aprendiz não deve ser levado a aprender algo que não entende, ou algo em que não seja capaz de encontrar significação. Uma criança deve conhecer bem o significado de uma palavra, para depois aprender a escrevê-la e lê-la.

Outro elemento que contribui para a aprendizagem é a forma, ou organização do material a ser aprendido. Materiais bem organizados e com padrões nítidos é muito mais facilmente aprendido e lembrado, que uma matéria não organizada ou não estruturada. Basta que o aprendiz perceba a forma, a estrutura do que deve ser aprendido e a aprendizagem ocorrerá rapidamente. O desenvolvimento da compreensão consiste, freqüentemente, em descobrir ou impor organização, ou padrões à experiência. Esquematizar, como recurso para facilitar a formação de padrões novos para estruturação do material a ser aprendido, facilita muito a aprendizagem. A aprendizagem da leitura por conteúdos lógicos e não por palavras ou sílabas comprovam os argumentos apresentados.

Outro ponto fundamental é observar quanto ao significado, se perguntar para que, qual a utilidade do material a ser aprendido. A utilização de problemas e projetos no ensino torna a aprendizagem mais significativa, em grande parte, porque as informações, habilidades e técnicas são aprendidas no contexto de seu uso. É válido observar que fatos isolados são relativamente sem significado, pois adquirem significado e importância no contexto da vida, isto é, o material a ser aprendido deve relacionar-se, particularmente, às necessidades, desejos, interesses, enfim satisfazer às motivações do aprendiz, afim de que ele possa descobrir a utilidade daquilo que aprende.

Na literatura especializada, tem sido dada considerável atenção ao problema da aprendizagem pelo método parcial ou pelo global. O método global consiste em o aluno ler e reler o material até que possa ser repetido. Na aprendizagem da leitura, o aluno aprende primeiro um texto escrito. À medida que contacta com o texto que já decorou, vai-se apercebendo a par e passo e à medida das suas capacidades, das suas partes componentes, tirando as suas conclusões. É natural que a pouco e pouco e por ele comece a identificar palavras que lhe aparecem em todos e depois em alguns dos textos que já decorou. E assim comece a ler sozinho algumas palavras e mesmo algumas pequenas frases, que tendo algumas palavras que já conhece e outras que não conhece, conclua pelo sentido a frase completa que dirá. E o aluno começa a ler quase sozinho. Pelo método parcial, o material é aprendido por partes. O aluno não aprende tudo de uma vez, mas antes ele aprende por partes, no caso de um poema, ele aprende estrofe por estrofe. Depois toma a parte seguinte e a estuda até que possa repeti-la e assim, sucessivamente, até que cada parte da divisão seja dominada. Têm-se encontrado diferenças a favor de ambos ou de uma combinação dos dois.

Estudos apontaram que o método parcial apresentou melhores resultados, entretanto, outros estudos não indicam maiores diferenças entre ambos. Estudos mostram que o nível mental dos alunos influencia a eficácia dos dois métodos. Entretanto, o método parcial propicia ao aprendiz o conhecimento visível de seu progresso. Já pelo método global, o aluno demora a ver seu progresso. O interessante é agregar os dois métodos, primeiro vem o todo, ou seja, depois da apresentação global do material (como por exemplo, um texto), este deverá ser fragmentado em pedaços menores, para um estudo detalhado.

A prática pedagógica, como fator ou condição que influência na aprendizagem, compreende dois elementos importantes, a saber, a duração do período de prática e a freqüência da prática, ou exercício necessário para o aluno obter o maior progresso na habilidade, ou no conhecimento a ser dominado. Embora cada tipo de aprendizagem determine certa variação na extensão e na freqüência de período de prática, várias conclusões são atingidas através de pesquisas realizadas. As práticas distribuídas resultam em várias montagens, estudos comprovam considerável evidência de que o tempo é um fator na aprendizagem. Pois ao que parece acontece algo durante o período de repouso, principalmente, após a prática, que influencia a consolidação e retenção daquilo que foi praticado ou aprendido. As evidências mostram claramente que algum tipo de espaçamento e repetições facilita a aprendizagem e tem efeito favorável sobre a retenção.

Para a evocação imediata, repetições maciças são tão eficientes como as espaçadas, mas para a retenção após um período de tempo a história diferente, pois à medida que as repetições aumentam, o conhecimento adquirido é esquecido rapidamente. Deve-se levar em conta o controle, o excesso de repetição, sem haver uma distribuição eficaz do tempo em tais repetições, isto é, um exaustivo esforço sem intervalos para descanso, a aprendizagem é ineficaz, pois os conhecimentos obtidos serão rapidamente esquecidos. O mesmo ocorre quando o aprendiz é submetido a um longo intervalo entre as repetições, visto que o mesmo acabará esquecendo o material aprendido.

A superaprendizagem pode ser definida como uma prática adicional, depois que a aprendizagem foi completada. Estudos comprovam que a superaprendizagem resulta em melhor retenção e que é mais retida por períodos mais longos, do que se o exercício cessasse no ponto inicial da aprendizagem. As vantagens da superaprendizagem dependem do completamento da aprendizagem inicial. Assim, a superaprendizagem deve limitar-se à metade, ou ao dobro do número de repetições requeridas para a aprendizagem original. Todavia, vale à pena notar que a superaprendizagem não deve consistir em mera repetição de memória. Deve ser também realizada pela revisão do material, pela recitação para si própria, pelo emprego em novos contextos, ou pela leitura de material semelhante em outros textos.

Portanto, podemos concluir que o grau de dificuldade e a extensão dos assuntos são de fundamental importância para a aprendizagem. Assim também é preciso levar em conta a significação que o material de aprendido tem para o aprendiz, visto que nenhum aluno deve ser levado a aprender algo que não entende, ou mesmo que não possua a capacidade de encontrar significação. O material a ser aprendido deve relacionar-se, particularmente, às necessidades, desejos e interesses do aprendiz, para que ele possa descobrir a utilidade daquilo que aprende. Observando sempre o método utilizado, sendo ele global ou parcial, o que deve ser levado em conta é relacionar tais métodos para a retenção do material aprendido.

 

Referência

 

 

In: CAMPOS, Dinah M. de Souza, Psicologia da Aprendizagem, Cap. XI, 17ª Ed, Petrópolis Vozes 1985.

 

 

 

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